Passeio Arquitetônico

O dia começou bem, o café da manhã incluso na diária é para Ogros! Comi o suficiente para aguentar o dia, talvez mais do que o suficiente, tinha ovo duro, frios, pães, sucrilhos, sucos, café, chá, etc… Só não pode fazer sanduiche para levar, mas sem problemas, comer aqui não é tão caro assim. Como eu tinha comprado um livro com passeios arquitetônicos e o dia estava bonito, resolvi que era uma ótima oportunidade para caminhar, mas antes fui até a estação de trem comprar minha passagem para Köln.

Meu passeio começou na saída da estação de trem e segui beirando o mar. O lugar que eu fui fazia parte do antigo porto de amsterdam, que foi desativado quando ele se tornou pequeno para a cidade. O guia era bem completo, falando sobre todos os prédios e autores, dei uma lida por cima e resolvi que era melhor ver com meus próprios olhos. Vi vários prédios legais (vocês vão ter que esperar pelas fotos), mas notei algo engraçado eles desenham um prédio e copiam e colam ele várias vezes nos terrenos adjacentes (tá no brasil também se faz isso, mas não um do lado do outro, com o mesmo acabamento, etc). Outra fato que notei é que é impossível diferenciar um prédio velho que foi reformado de um prédio novo com aparência de velho e pedaços modernos. Morar numa dessas ilhas deve ser muito bom, e acho que deve ser extremamente caro também, mas não vi os preços.

No final da minha volta, cheguei na biblioteca, um prédio novo de 7 andares, com muitos livros, revistas, computadores, etc. Poderia passar dias lá dentro se eu soubesse Dutch. Usei um pouco a internet deles, mas resolvi ir para o museu que fica ao lado. Como Stedelijk Museum está em reformas as poucas exposições temporárias estão no Stedelijk Museum CS, então só vi alguns poucos trabalhos. Mas a exposição era muito boa, sobre pintura. Saí de lá com vontade de ver o museu inteiro, terei de voltar para amsterdam quando o museu reabrir!

Voltei do museu a pé, no caminho achei uma Zara, precisava comprar um casaco novo (o meu arrebentou um dos fechos). Achei dois casacos legais, achei que daria uns 65 euros para os dois, mas no caixa descobri que o casaco mais caro custava só 7 euros!!!! Portanto gastei só 32 euros para dois casacos, isso sim que é liquidação! A essa altura eu já estava faminto (e era tarde, mais de 16h), encontrei uma pizzaria no caminho e matei minha fome.

Nas sextas o museu van Gogh fica aberto até as 22h e tem uma programação especial, um DJ coloca música (música calma né) no saguão do museu. Esse museu é imperdível! Eu já gostava de van Gogh, depois de ver todas as obras em ordem cronológica passei a gostar ainda mais. Ele viveu muito pouco, mas produziu quadros ótimos! Fiquei umas duas horas e meia dentro do museu, e só saí de lá pois estava cansado.

Para acabar o meu dia, fui no Burguer King, usar a internet de alguma alma caridosa que não fecha o seu roteador. No hostel 10 horas de internet custam €30! Um roubo! Há planos de wifi da orange/vodafone por um mês inteiro por pouco mais que isso, vou continuar a usar a internet da alma caridosa.

Dublin / Amsterdam

Último trecho de avião antes de voltar para o brasil, dessa vez não precisei super compactar minha mala, podia despachar 20kg. Obviamente consegui deixar a mala com 19.5kg, livros pesam! Acordei cedo para pegar o ônibus para o aeroporto e para a minha surpresa não precisei pagar! Okey, eu tinha comprado o ticket de ida e volta, mas tenho sobrando uma volta de Navan-Dublin Airport. Cheguei duas horas antes do vôo, mas acho que nem precisava, o check-in foi numa dessas máquinas e depois é só despachar a mala, barbada! Gostei da Aer Lingus, apesar desse nome bizarro.

No freeshop comprei uma camiseta da Guinness em Gaelic por 7 euros! Ainda estou tentando decifrar tudo que está escrito, sei que umas três palavras ali significam Dublin. Uma hora de vôo e mais uma hora de fuso horário e estava em Amsterdam. Dessa vez tive que explicar o que estava fazendo, quanto eu tinha de dinheiro, quando eu voltaria para o Brasil, onde eu iria ficar, etc para o oficial da alfandega, mas depois de explicar tudo recebi meu carimbo e estava de volta na EU.

Do aeroporto de Amsterdam até o centro há um trem, mas o aeroporto nem é tão longe assim, em menos de 15 minutos estava na estação de trem central. Na frente da estação passam as diversas linhas de tram, peguei uma que ia para Leidesplein e três quadras depois estava no hostel. O hostel é bem legal, tirando o fato de que estou durmindo num quarto com mais 13 pessoas, e digamos que os europeus fedem um pouco, not good! Depois de me instalar, saí para uma volta pelas redondezas, reconhecer o território. A cidade é muito bonita! E se eu não acreditava que todo mundo andava de bicicleta, descobri isso logo na chegada, fui quase atropelado por vários ciclistas. Para os ciclistas que lêem o blog, aqui eles não usam capacete, as bicicletas não tem marcha (apesar de não ser completamente plano), e há bicicletas estranhas com um bagageiro na frente, para duas pessoas, e qualquer outra combinação imaginável.

Dublin

Mais um dia em Dublin, o último da minha visita pela irlanda, resolvi visitar os dois museus de arte moderna. O primeiro que eu fui fica ao lado do Writers Museum, e se chama Huges Lane Museum. Eles possuem uma coleção de impressionistas franceses, vários trabalhos de artistas irlandeses, quase toda a coleção é formada por pinturas. Aqui eu descobri que o artista Francis Bacon é irlandes. Na ampliação do museu foi recriado o último atelier dele, transportaram tudo para cá. Ele trabalhava no meio do caos. Há bons trabalhos dele espalhados pelo museu.

Nesse dia eu esqueci de levar meus sanduiches para Dublin, então acabei comendo McDonnald’s. Dublin é uma cidade cara, não podia me dar o luxo de gastar 20 euros num almoço. Depois de comer, peguei o tram (eles só tem duas linhas de tram) e fui até a outra ponta da cidade visitar o Irish Museum of Modern Arts (IMMA), próximo ao inicio do Phoenix Park (um parque enorme que eles tem, e não visitei). Acho que quando eles deram o nome eles queria dizer Contemporary Arts, mas okey só uma questão de nomenclatura. Vi bons trabalhos lá, mas como não podia tirar fotos não posso mostrar o que vi.

O museu funciona num antigo hospital militar de 1700 e alguma coisa, num dos lados do museu há um pequeno jardim todo arrumado, com flores e arbustos. Um pouco mais longe estão dois cemitérios, tinha alguma história sobre os cemitérios mas não lembro agora, e não altera muito o relato. Voltei do museu a pé, passando na frente da fabrica da Guinness, até pensei em fazer o tour pela fábrica, mas custava 16 euros! Obviamente começou a chover, e com isso veio o vento e o frio. Achei uma Starbucks e tomei um cappucino para me esquentar e secar um pouco. Cansado de tanto andar, voltei para Navan, ainda tinha que refazer minha mala.

Newgrange

Mais um dia de irlanda, como era o dia de folga do Cartucho e da Tina, resolvemos fazer um passeio pelas redondezas de Navan. Depois de pesquisarmos um pouco o que poderiamos fazer, resolvemos visitar a Newgrange, antiga tumba, que fica próxima a cidade de Slane, uns 15 minutos de Navan. Para chegar lá pegamos um ônibus, mas isso só nos deixou na cidade, o local que queriamos visitar ficava a 10km dalí. Pegamos um taxi, e combinamos para ele nos buscar mais tarde. Chegar no local até que não foi difícil.

Quando eu disse antiga tumba, não era com a conotação de alguns séculos atrás somente. O local tem mais de cinco mil anos. A tumba é uma morro construido pelos antigos habitantes da irlanda, com uma porta que se alinha com o solstício de inverno, iluminando o interior da tumba nesse dia. Dentro e fora da tumba há desenhos antigos, como três espirais, diamentes e zigzags. Uma guia nos explicou todos os possíveis significados daquela tumba, e como ela devia ser usada, etc. Na região há mais de 50 dessas tumbas, mas só duas estão abertas para visitar, uma somente no verão.

O tempo não ajudou muito durante nosso passeio, não deu para curtir a paisagem em volta de Newgrange. Tirei algumas fotos, mas é bastante complexo segurar uma máquina, uma mochila e um guarda-chuva. Nossa visita durou cerca de uma hora, depois voltamos para a sede do parque e visitamos o museu. Mas como ele fechava as 17h, e só chegamos lá as 16h30, não tivemos muito tempo para olhar. Ligamos para o taxista e ele só podia nos pegar as 17h45, sem problemas, podiamos esperar. O detalhe é que o parque fechou, as luzes na entrada (na beira da estrada) se apagaram, e nós continuamos ali esperando o taxista. Ainda bem que ele apareceu, estavamos quase congelados.  Chegando na cidade entramos num pub. Tomei meu primeiro pint de Guinness irlandesa, enquanto esperavamos nosso ônibus chegar.

Mais informações aqui.

Vento, Muito Vento

Segunda-feira, os dois museus de arte moderna / contemporânea que eu queria ver estavam fechados, então acabei indo no Writers Museum. Sim, aqui há um museu sobre os escritores daqui, talvez por que eles tenham uma quantidade absurda de ótimos escritores! Jonathan Swift (Gulliver’s travels), Bram Stocker (Dracula), Oscar Wilde (The picture of Dorian Gray), George Bernard Shaw, William Buttler Yeats, Samuel Beckett, … se você achava que todos eles eram ingleses, então podem ficar chocados, todos são irlandeses! Sim, eu não mencionei James Joyce, mas acho que esse todos sabem que é irlandes.

No museu eu descobri pequenas histórias dos diversos autores irlandeses, um pouco da história da irlanda e também algumas curiosidades bobas. A primeira audição do Messiah de Handel foi em Dublin. Na irlanda, além do inglês eles falam Gaelic, uma linguagem baseada no celta ou algo assim, então em 1685 há a primeira tradução da biblia para o Gaelic. O primeiro livro irlandês é As viagem de Gulliver, do Jonathan Swift. O Bram Stocker estudou no Trinity College na mesma época que o Oscar Wilde.

Achei que no museu leria mais sobre o James Joyce, deveria ter ido num dos museus dele (sim, há dois na cidade), mas descobri algumas coisas sobre os livros dele. Ele escreveu todos os livros fora de dublin, mas sempre escrevendo sobre a cidade nos livros. O livro Ulysses se passa todo no dia que ele saiu da irlanda e vários personagens são pessoas da sociedade dublinense, como Mr. Guinness (acho que esse sobrenome todos devem reconhecer ;)). Descobri que existe um autor (Máirtín ó Cadhain) que escreve só em Gaelic, com uma obra comparada com Ulysses em importância.

Depois desse monte de cultura no museu, resolvi descançar o cerebro e caminhar até o Porto, e também aproveitar que o tempo estava bom, com sol esporadicamente. Durante a caminhada descobri que os fatos que o Cartucho havia me contado sobre a Irlanda eram bem reais. A Irlanda até o inicio da década de 90 era (ainda é) um país rural, mas por algum motivo a união europeia (EU) resolveu investir no país. Hoje Dublin é o Sillicon Valley europeu, com sede de todas as grandes empresas de IT (ou TI, pra quem prefere em pt_br) e muitas startups. A quantidade de milionários na cidade também é enorme (não tenho números, google it if you want). Isso tudo significa que estão construindo tudo na cidade: prédios, trams, pontes, trem, estradas, etc. Nunca vi tantas gruas numa mesma área, toda a área perto do Porto está sendo construida ou reconstruida, não consegui descobrir. Andei pelas duas margens do rio que divide Dublin e quase levantei vôo com tanto vento, na volta entrei na Temple Bar Street, uma rua de bares, artes, etc.

Uma das atrações da Temple Bar é o Nationa Photographic Gallery, lá vi uma ótima exposição de fotos coloridas da 1913. As fotos documentam as diversas regiões da irlanda nesse ano, junto com as fotos as fotografas mantiveram um diário enquanto fotografavam, então havia bastantes histórias sobre as fotos. Cansado de tanto andar, rumei para a rodoviária, parando para usar a internet no caminho e uma hora depois casa, hora de descansar para mais andanças no outro dia.