Bonn

Por indicação do pai, fui até Bonn, visitar dois museus e conhecer um pouco da cidade. Antes de sair chequei a previsão do tempo e dizia que não ia chover, ótimo! Detalhe é que no dia anterior havia previsão de chuva, obviamente o pateta saiu sem guarda-chuva. Fui recepcionado em Bonn por uma ótima chuvinha, com uns 4° nos termomêtros. Nada bom para fazer turismo, mas vamos em frente.

Passei nas informações turisticas para pegar um mapa, e segui meu caminho a pé para os museus. Ambos os museus ficam no bairro do governo, onde há todos os prédios de quando a capital era aqui. Fui caminhando, curtindo a chuva fininha e vendo todos esses prédios modernistas de 1950.

Os museus ficam um ao lado do outro e é bastante impressionante de se ver. A arquitetura do Kunstmuseum é melhor do que a do Ausstellungshalle. Entrando no foyer do museu há uma escada formada de uma parte concava e outra convexa, muito legal! O acesso principal ao segundo andar do museu se dá por essa escada. Apesar do prédio ser formado por alguns triangulos a circulação se dá de uma forma muito boa. A coleção do museu também é genial. Depois de ver duas salas com August Macke (expressionismo alemão), entrei numa sala com vários Anselm Kiefer (ainda não achei um livro dele para comprar).

Além do acervo permanente havia algumas exposições temporárias espalhadas pelo museu, a mais importante sendo a Gehen – Bleiben (numa tradução sem penso: Ir ou Ficar). Nessa exposição temporária havia vários trabalhos muito bons, como Marina Abramovic, Richard Long, Rachel Whiteread, William Kentridge. Outra coisa interessante do museu é o Videosammlung Oppenheim, uma coleção de vídeos de vários artistas como Beuys, Bill Viola, John Baldessari. Num computador escolhe-se o vídeo e em seguida ele passa numa tv que fica ao lado.

No Ausstellungshalle havia só uma exposição, apesar do prédio comportar diversas exposições temporárias ao mesmo tempo. A exposição atual era sobre a Sicilia, com algumas coisas interessantes, mas como não me interesso muito por história antiga, visitei a exposição rapidamente. Também pretendia pegar o trem às 16h22 para Köln, queria encontrar minhas primas e meu tio.

Acabei encontrando eles às 17h10, já que o trem das 16h22 não passou. Conheci a familia da minha prima aqui na alemanha, fomos jantar num grande restaurante, típido de Köln: Brauhaus. Acho que grande não é a palavra adequada para descrever o tamanho do local. São dois ou três andares com muitas salas e muitas mesas. Comi uma Bockwurst com salada de batata, estava muito bom. Até que a comida aqui não é ruim como diziam, até agora tive boas experiências gastronômicas.

Ludwig Museum

No meu guia de viagem falava bem do museu Ludwig, então decidi visitar esse museu. Na cidade há vários museus, como o museu de arte romana, um museu com impressionistas, etc. A coleção do museu Ludwig é formada por arte moderna e contemporânea. Mas antes de ir no museu, aproveite para subir os 150m da torre da Dom! Subir até que foi tranquilo, a vista é fantástica de cima da torre. Único problema são as grades espalhadas por tudo, mas consegui tirar algumas fotos boas, o que mais atrapalhou foi a neblina! De cima da torre avistei alguns prédios meio interessantes e resolvi ver eles de perto.

Obviamente ver algo de cima de uma torre é bem diferente de caminhar pelas ruas e tentar chegar no local, fiquei um pouco perdido mas logo avistei um prédio familiar (que eu tinha visto da torre) e consegui acertar meu caminho. Um dos prédios, com fachada de vidro é do arquiteto Renzo Piano, mas não gostei muito do prédio. A fachada de vidro era legal, mas meio que só isso.  Depois dessa volta rumei para o Ludwig Museum.

Não achava que um museu numa cidade do interior da alemanha pudesse ter tão bom. A coleção é impressionante, quase qualquer artista importante de 1900 para hoje está no museu. Em alguns casos há uma sala inteira dedicada ao artista, ou metade de uma sala. Há cinco quadros do Chagall, um do lado do outro, impressionante! No subsolo está a coleção de arte pop do museu, com ótimos trabalhos do Andy Wahrol, Lichtenstein, Claes Oldenburg, etc. Além dessa coleção permanente impressionante havia uma exposição temporiária do Mondrian, mostrando todo a evolução dele. Dos primeiros trabalhos figurativos até os trabalhos em vermelho, azul e amarelo. Passei mais de três horas no museu e poderia ter ficado mais tempo, mas já estava verde de fome a essa hora.

O museu como arquitetura não é muito interessante, mas ele faz parte de um complexo de dois museus, cinema e uma sala de concertos, ocupada pela filarmônica de Köln. Os arquitetos quando projetaram não foram muito espertos, fizeram uma grande praça e colocaram a sala da filarmônica embaixo! Então durante concertos e ensaios vários funcionários e placas ficam espalhadas pela praça, pedindo para não andar por ali.

Aproveitei que era cedo e atravessei o Reno, não imaginava que ele fosse tão grande. Demorei alguns minutos para atravessar ele a pé – não, eu não tentei atravessar a nado. Do outro lado do Reno se tem uma vista ótima da enorme catedral. Há um prédio novo, em forma de triângulo / circulo, com um terraço no 28º andar, de lá avista-se toda a cidade. Mas o terraço é fechado com vidro então foi difícil tirar boas foto.

Saindo de lá, esperei anoitecer para tirar uma foto noturna da cidade e também tinha que dar um tempo até eu poder ligar para a minha prima. Não foi uma boa idéia ficar parado na beira do rio, congelei totalmente! Mas as fotos valeram a pena. Jantei no restaurante em frente ao hostel, um Schnitzel com champignons e nata, tava muito bom.

Amsterdam / Köln

Acordei cedo, tomei meu café da manhã ogro, e ainda tinha tempo sobrando até a saída do meu trem. Resolvi chegar cedo na estação e com isso aproveitei para tirar algumas fotos da quantidade monstruosa de bicicletas que tem nas redondezas da estação. Vocês provavelmente já viram uma foto de uma rampa lotada de bicicletas, bom ela fica do lado da estação de trem!

Apesar do meu trem ser um ICE alemão, o mais rápido dos trens da Deutsche Bahn, ele foi bem lerdinho. Não vi ele passar dos 150km/h, por isso a viagem foi um pouco demorada. Mas às 13h20 já estava em Köln. Saindo da Hbf peguei o U-Bahn para o meu hostel. As indicações na página de como chegar foram muito precisas, e incrível eu consegui me comunicar em alemão para comprar o ticket do metrô. Só troquei Karte com Plan, mas fora isso consegui o que eu queria.

O Hostel é muito bom, recomendo a todos que vierem para Köln. É uma casa normal, com alguns quartos extras. Então há cozinha, sala, internet, chá e café a vontade, etc. Muito mais agradável de ficar do que o hostel de Amsterdam. Depois de me instalar, saí para uma volta pelo centro. No centro de Köln está a Dom (catedral), se falaram para vocês que ela é grande, dupliquem isso e talvez vocês tenham uma idéia razoável do tamanho. Dei uma volta pela cidade, descobri que há o Schokolade Museum, organizado pela Lindt! Voltei para o hostel cedo, estava cansado e queria planejar meu próximo dia.

Rembrandt

Último dia de turismo em Amsterdam, como todos os principais passeios eu já tinha feito, resolvi ir na ex-casa do Rembrandt. Mas antes de chegar lá passei na frente da casa da Anne Frank, que tinha uma fila quilométrica na frente. Não achei que valia a pena visitar a casa, afinal eu nem li o livro! Segui caminhando, errando pelos diversos canais da cidade. Consegui chegar sem dificuldades no museu. A visita pela casa é sem graça, remobiliaram a casa que pertencia ao Rembrandt. As únicas duas coisas legais é que há um atelier de gravura onde eles demonstram o processo que ele usava para imprimir (que é parecido/igual ao atual, só a prensa que era de madeira) e que eles ensinam como fazer tinta à óleo!

O melhor de tudo está depois do passeio pela casa, uma coleção de umas 100 gravuras do Rembrandt. Mostrando toda a evolução da técnica usada por ele, é realmente impressionante de ver. Várias dessas gravuras foram impressas milhares anos depois da morte do autor, alguns artistas realçavam as antigas placas para poder imprimir mais vezes. Até fiquei com vontade de fazer gravura.

Depois do museu, dei uma volta pela Watersloonplein que fica ao lado e segui até o ARCAM, um museu dos arquitetos daqui, mas que estava fechada no domingo. Só vi o prédio por fora. Atrás do prédio fica o museu de ciências NEMO. O telhado do museu é um grande terraço, almoçei um cachorro-quente no bar que fica no topo do prédio. Junto com o museu está uma replica de um barco de 1700, quando os holandeses dominavam os mares. Aproveitei para visitar, especialmente por que custava só 2 euros para estudantes.

Como eu tinha que arrumar a mala, e me preparar para mais um dia de viagem, voltei para o hostel depois de caminhar mais um pouco. Para matar um pouco de tempo fiquei sentado na portaria do hostel, escrevendo posts e vendo as fotos do dia. Nesse meio tempo, apareceram algumas pessoas por lá, uma americana e uma canadense que estão fazendo intercâmbio em Copenhagen e vieram passar o fim de semana em Amsterdam, depois chegou um cozinheiro inglês e um senhor americano. Conversamos bastante e demos várias risadas. Depois começei a minha saga de empacotar tudo e zipar tudo dentro da mala. Preciso comprar uma mala extra, livros ocupam muito espaço.

Red Light District

Outro dia bonito em Amsterdam, acho que estou com sorte! Comi meu café da manhã ogro e resolvi explorar o parque que fica ao lado do Hostel, o Vondelpark. Antes de sair liguei o amigo da amiga da minha mãe, para ver se eu poderia ficar na casa dele em Berlin, tive que praticar meu alemão. Até que eu consegui falar, mas me senti um fracasso quando eu não entendi o endereço. Saí para o parque, achando que ele seria pequeno, mas é enorme, com vários caminhos para andar, correr e andar de bicicleta obviamente, afinal todo mundo aqui tem bicicleta. Pena que é inverno e só tem galhos nas árvores, no verão deve ser ótimo pra ficar atirado na grama. Depois de caminhar um tanto, resolvi que era hora de visitar o Rijksmuseum.

O museu é muito bom, pena que só tinha uma parte do acervo exposto. Também estão reformando esse museu! Resolveram reforam os dois museus mais importantes da cidade ao mesmo tempo, vai entender esses Dutch’s! No museu há uma ótima coleção de Rembrandt e Vermeer, vi ótimas pinturas! Poderia passar um dia dentro do museu se ele estivesse aberto por inteiro, mas assim mesmo fiquei umas três horas vendo as obras.

A Lu me deu uma dica de restaurante, resolvi experimentar. Saí do museu e fui caminhando até o restaurante, a rua passava perto do museu, mas o restaurante ficava na outra ponta. No caminho passei por diversas galerias de arte, todas na rua que chega na frente do museu. O restaurante se chama Il Panorama e fica perto da Casa da Anne Frank, comi um ótimo Spaghetti à Carbonara.

Depois do meu almoço no meio da tarde fui conhecer o Red Light District, o tão famoso bairro da prostituição. O bairro é como qualquer outro aqui de Amsterdam, aliás é a parte mais antiga da cidade. A diferença é que há diversas vitrines onde fica uma mulher (ou traveco) se exibindo, tentando se vender. Há tudo quanto é tipo de mulheres: magras, gordas, bonitas, feias, jovens, velhas, asiaticas, latinas, européias, etc. Um Suck & Fuck custa €50, caro! E as mulheres usam mais roupas do que muitas brasileiras usam na praia. Ao lado das vitrines há teatros de sexo explicito, sexshops, peepshows e qualquer outra coisa imaginável relacionada com sexo.

Depois da minha volta pelo distrito do sexo, achei uma loja que vendia luvas. Comprei um novo par, já que eu consegui perder a mão direita da minha luva no dia que eu cheguei aqui. Agora minhas mãos não vão cogelar mais. Passei no Burger King para usar a internet gratuita da alma caridosa.