Why the British are the greatest pirates in the world, ou qual foi a minha impressão no British Museum

Mais um dia de museu para mim, acordei um pouco tarde, preparei meus sanduiches e parti para o British Museum. Não sabia muito o que esperar do museu, afinal ver objetos em estantes não é muito divertido, mas chegando lá mudei de idéia. Também como o título do posto diz, não acreditava que os britânicos tivessem roubado tanto de todos. O que os franceses não conseguiram pegar para si, os ingleses pegaram.

No museu encontra-se a Rossetta Stone, aquela que foi usada para decifrar os hieroglifos egipicios – e que foi roubada dos franceses (pirates!). Listar tudo o que tem no museu seria inviável. Mas para dar uma idéia da quantidade de coisas que eles tem, talvez baste mencionar que 60% das esculturas da fachada do Parthenon grego estão no museu. Se isso não serviu ainda, a querida e mundialmente famosa Cleopatra também está lá, exposta para todos verem.

Uma das coisas que eu achei fantásticas do museu é que há algumas pessoas com objetos reais, que tu pode pegar e mexer, elas também contam a história dos objetos e para o que serviam, etc. Falei com um senhor que tinha algumas moedas romanas. Ele me contou quanto valiam as moedas na época, como acharam elas e sobre a diversidade das moedas (há mais de 75 moedas de mesmo valor com desenhos diferentes).

Nesse museu, mais uma vez, me dei conta de como seria diferente ter aprendido história antiga visitando esses museus. Eu teria adorado estudar a vida dos romanos, dos gregos, etc. Tudo o que vemos em livros, vasos, pratos, instrumentos, etc são realmente reais, e estão aqui expostos. Acho que eles não se dão conta dessas vantagens que eles tem no ensino, não devem nem valorizar as visitas aos museus.

Encontrei a Lu no final do dia, ela queria me mostrar a loja de carimbos (de onde veio meu carimbo de pingüim). A loja fica próxima do British Museum e tem absolutamente tudo que é tipo de carimbos. Depois de lá fomos até a Lush, famosa loja de produtos para banho, queria ter uma banheira novamente para comprar umas bolas de banho. Compramos cookies e encerramos o dia, tinha voltado a chover.

Tate e Financial Center (pelo menos eu julgo que ali seja)

O dia amanheceu chuvoso, não, minto, caía um pé d’água, mas pra minha sorte parou de chover. Sai para a cidade visitar alguns prédios e ir na Tate Modern, peguei a Northern Line até Bank, barbada nem é preciso trocar de linha. Na saída da Bank Station está o Bank of London e a London Stock Exchange, só havia pessoas arrumadas e engravatadas por ali. Caminhei em direção ao prédio do Lloyds, desenhado pelo Richard Rogers (que eu já mencionei em algum outro post). Não sei se o Lloyds é mais antigo que o Pompidou em Paris, mas várias coisas na fachada dele lembram o prédio de paris.

Quase na frente do Lloyds fica o Gerkhin, o prédio em forma de ovo, desenhado pelo Norman Foster. O prédio e a fachada são espiralados, isto é, cada andar está girado alguns graus, então os pilares que saem na diagonal na base do prédio formam essa espiral. O prédio é muito mais interessante que a Torre de AGBAR (Barcelona). Tirei algumas fotos, e acabei voltando nas redondezas dele outro dia e tirei mais fotos.

Ambos os prédios ficam próximos a St. Paul’s Church (ou será Cathedral?), mas custava mais de £10 para visitar, achei que não valia a pena investir nisso. Dei uma volta por fora na igreja, parece ser gigante por dentro. Na lateral da igreja, caminhando em direção ao Thames River, está a Millennium Bridge. Essa ponte foi construida em 2000 (ou um ano antes, por isso o nome). Fato curioso, quando inauguraram a ponte ela balançava para os lados, depois estudaram o problema e arrumaram a estrutura dela para não balançar mais. Do outro lado da ponte está o Tate Modern, um enorme museu de arte moderna e contemporânea. Descobri depois que a reforma do prédio é do Herzog & de Meuron, antes funcionava ali uma usina de energia elétrica, mas aqui, diferente de Porto Alegre, souberam aproveitar o espaço e fazer algo bom.

Dentro do Tate Modern há diversas exposições, algumas pagas (as temporárias) e as demais de graça. No grande hall, onde antes tinha as turbinas da usina, havia um trabalho da Doris Salcedo. Ela abriu uma rachadura por todo o chão do hall. Várias pessoas tropeçam no buraco apesar dos vários cartazes lembrando do perigo do buraco. Vi uma mulher prender o pé no buraco. A exposição temporária que tinha era da Louise Bourgeois, muito bom o trabalho dela e bastante forte. Deveria falar mais sobre essa exposição, mas prefiro comentar sobre o acervo permamente do museu.

O acervo de obras permanentes do museu é simplesmente impressionante. Com muitos trabalhos ótimos, mostrando as diversas tendencias / pensamentos artisticos. Poderia passar diversos dias indo no acervo para rever algumas obras.

London

Primeiro dia na cidade que a minha irmã adotou por 10 meses, chegamos no horário previsto, a imigração não foi complicada, logo estavamos no ônibus para a cidade grande. Tá, explicando o final da frase, pousamos no Luton Airport, que fica no norte de londres, no meio do campo, sim eu vi vaquinhas pastando antes de aterrisar. Levamos cerca de 1h30 até o centro da cidade, a Lu comprou um Oyster card para mim (cartão dos transportes públicos) e recarregou o dela. Mais 45 minutos de metrô e chegamos em casa.

A Maria fez massa com queijos para nos receber, estava muito boa! Ficamos em casa um tempo, descansando da viagem, mas saimos para dar uma volta, eu estava pronto pra fazer turismo, mas acabei conhecendo a noite londrina. Fomos primeiro para a Trafalgar Square, caminhamos até o Picadilly Circus e eu obviamente arrastei a Lu para a Apple Store. Se eu tivesse $$$ teria comprado metade daquela loja, mas me contentava só com um monitor de 30″ deles.

A Lu queria reencontrar uns amigos, mas precisavamos jantar antes, acabamos indo a um Subway, um fast-food tradicional! Encontramos os amigos dela num pub, em algum lugar da cidade que eu não lembro no momento (não arrumei um mapa daqui:(). Tomei uma Guinness no pub. Fui mais ou menos arrastado para noite londrina, apesar do meu cansaço (tinha acordado as 6h30 da madrugada).

A noite aqui é bem diferente do Brasil, os bares tem licenças com limite de horário. Então os bares fecham, e o povo migra para o próximo bar que tem uma licença até mais tarde. Aqui em todos os lugares fechados e públicos é proibido fumar, todo mundo respeita isso, muito bom! Primeiro fomos no 1001, um bar onde toca música eletrônica e pelo que me contaram serve almoços e lanches durante o dia. Chegamos a meia noite e antes da 1h tivemos que sair. Acabamos indo para uma outra festa no Ditch, que custou £3 para entrar, ficamos lá até fechar, as 4h da manhã. Tomamos dois night buses e estavamos em casa novamente!

O domingo obviamente foi morto, passei metade do dia dormindo e a outra metade curtindo a minha preguiça. Mas para não deixar ele passar em branco, eu e a Lu fomos ao cinema, assistir o filme 4 meses, 3 semanas e 2 dias, que ganhou a palma de ouro em Cannes esse ano. O filme é romeno, que é uma língua latina bastante engraçada com palavras do alemão, francês, italiano, português, espanhol, pelo menos dessas línguas eu consegui reconhecer! Gostei do filme, um pouco lento, mas na medida e com uma temática bastante pesada. Vale a pena, altamente recomendado!

Portugal, volto em breve…

Último dia de turismo por Lisboa, no outro dia vamos partir cedo para o aeroporto, e fomos recebidos por um ótimo dia de chuva, perfeito para ficar em casa. Mas tinhamos que ir até a Fundação Gulbenkian para completar nosso circuito artístico pela cidade.

A Fundação Gulbenkian possui dois museus, um de arte moderna e contemporânea e outro de arte antiga, compramos o ingresso para ver ambas as coleções. Na parte de arte moderna havia uma exposição temporária de vídeos, eu sempre implico um pouco com vídeos, mas a maioria deles eram muito bons, gostei de ver. A coleção permanente possui na sua maioria artistas portuguêses, vários que eu nunca ouvi falar mas com trabalhos ótimos. O museu também tem um tamanho bom, não muito grande e não muito atrolhado. A coleção de arte antiga também é bastante interessante, ainda mais quando tu percebe que tudo aquilo fazia parte de uma coleção particular. Há ceramicas chinesas, tapetes iranianos, mesas francesas, quadros de diversos pintores, etc., impressionante montar uma coleção assim eclética!

Quando terminamos de ver os dois museus a chuva resolveu dar uma trêgua e até o sol resolveu aparecer. A Lu queria se despedir dos pastéis de nata, então voltamos para o centro e pedimos meia dúzia de pastéis! Comemos até dizer chega, estavamos prontos para caminhar mais. Por indicação da mãe, fomos caminhar pela Alfama, antigo bairro medieval, perto da Sé. O bairro é muito interessante, como todos os bairros medievais as ruas são extremamente extreitas, mas se nos outros que eu visitei tudo era plano, aqui tudo é um grande plano inclinado, com muitas escadas.

Conhecer portugal foi quase como descobrir um Brasil civilizado, onde acontecem coisas, onde existe transporte público descente, onde há trens. Definitivamente podiamos aprender algumas coisas com eles, talvez várias. Pretendo voltar para a terrinha para explorar ela melhor, há muitas coisas para conhecer por aqui!

Belém

Segundo dia em lisboa, acordamos com o melhor sol possível, o tempo limpou completamente. Combinamos de ir até Belém, conhecer a torre, o mosteiro e obviamente os pastéis! Também lemos sobre um centro cultural que há em Belém, mas não sabiamos o que teria para ver lá. Pegamos o tram na Praça do Comércio, que obviamente estava cheio de turistas.

Primeira parada turística em Belém, Mosteiro de São Jerônimo. Visitamos primeiro a igreja, onde está o túmulo do Vasco da Gama e do Camões, assim como os túmulos de alguns reis portugueses do tempo dos descobrimentos. A igreja é muito bonita, com uma quantidade absurda de ornamentos esculpidos nas pedras. Tentei tirar várias fotos, preciso seleciona-las para colocar online. Para visitar o claustro da igreja tem pagar, mas achei que valia a pena e realmente valeu. Ficar descrevendo o que eu vi seria complicado, e eu não sou um bom escritor, mas numa das salas havia uma linha do tempo com toda a história do mosteiro (que é mais ou menos da época do descobrimento do brasil) em paralelo com a história portuguesa e acontecimentos marcantes no mundo, bastante completa a linha, foi divertido ler e ver os fatos em paralelo.

Quase na frente do mosteiro fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento sobre o Tejo, com diversos personagens importantes como Vasco da Gama, Camões, Pero Vaz, etc… Não curti muito o monumento. Mas dele se avista a Torre de Belém. Fomos caminhando em direção a ela, mas o calçadão simplesmente acaba para dar lugar a uma marina, e não há passagem pela beira do rio (tenho minhas dúvidas se foi um português ou um brasileiro que projetou isso, talvez um brasileiro…), tivemos que contornar a marina.

Passeamos por toda a torre, me senti um pouco como se tivesse voltado no tempo sentando numa das torres de vigia olhando o horizonte… Descobri que definitivamente os homens do passado era pequenos e fortes, pequenos porquê as portas, corredores, escadas são minúsculas; fortes pois levantar qualquer uma das grades que há na torre requer muita força. Comemos num self-service perto da torre, nada demais, mas não foi um preço exorbitante e era comida de verdade. Para completar o almoço caminhamos até a Pastelaria de Belém, onde é feito o verdadeiro pastel de belém. No caminho cruzamos o Centro Cultural de Belém para pegar informações sobre as exposições. Os pastéis são deliciosos, vale a pena comer alguns!

Depois dos pastéis, um pouco de cultura. O museu de arte contemporânea do Centro Cultural Belém é muito bom, cheio de trabalhos bons e tinha uma ótima exposição temporária, sobre a fina linha que separa teatro de performance, happening, etc. Precisaria de uma grande aula sobre arte contemporânea para entender tudo o que tinha nessa exposição temporária, talvez umas aulas sobre história do teatro também, mas foi muito bom ver tudo. A coleção permanente (Colecção Berardo) do museu possui diversos artistas ótimos, como Pierre Coulibeuf, Marina Abramovic, Lichtenstein, Duchamp, Pedro Cabrita Reis, Francis Bacon, etc. Só não gostamos da arquitetura do local, não era um lugar muito legal em termos de espaços.