Belém

Segundo dia em lisboa, acordamos com o melhor sol possível, o tempo limpou completamente. Combinamos de ir até Belém, conhecer a torre, o mosteiro e obviamente os pastéis! Também lemos sobre um centro cultural que há em Belém, mas não sabiamos o que teria para ver lá. Pegamos o tram na Praça do Comércio, que obviamente estava cheio de turistas.

Primeira parada turística em Belém, Mosteiro de São Jerônimo. Visitamos primeiro a igreja, onde está o túmulo do Vasco da Gama e do Camões, assim como os túmulos de alguns reis portugueses do tempo dos descobrimentos. A igreja é muito bonita, com uma quantidade absurda de ornamentos esculpidos nas pedras. Tentei tirar várias fotos, preciso seleciona-las para colocar online. Para visitar o claustro da igreja tem pagar, mas achei que valia a pena e realmente valeu. Ficar descrevendo o que eu vi seria complicado, e eu não sou um bom escritor, mas numa das salas havia uma linha do tempo com toda a história do mosteiro (que é mais ou menos da época do descobrimento do brasil) em paralelo com a história portuguesa e acontecimentos marcantes no mundo, bastante completa a linha, foi divertido ler e ver os fatos em paralelo.

Quase na frente do mosteiro fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento sobre o Tejo, com diversos personagens importantes como Vasco da Gama, Camões, Pero Vaz, etc… Não curti muito o monumento. Mas dele se avista a Torre de Belém. Fomos caminhando em direção a ela, mas o calçadão simplesmente acaba para dar lugar a uma marina, e não há passagem pela beira do rio (tenho minhas dúvidas se foi um português ou um brasileiro que projetou isso, talvez um brasileiro…), tivemos que contornar a marina.

Passeamos por toda a torre, me senti um pouco como se tivesse voltado no tempo sentando numa das torres de vigia olhando o horizonte… Descobri que definitivamente os homens do passado era pequenos e fortes, pequenos porquê as portas, corredores, escadas são minúsculas; fortes pois levantar qualquer uma das grades que há na torre requer muita força. Comemos num self-service perto da torre, nada demais, mas não foi um preço exorbitante e era comida de verdade. Para completar o almoço caminhamos até a Pastelaria de Belém, onde é feito o verdadeiro pastel de belém. No caminho cruzamos o Centro Cultural de Belém para pegar informações sobre as exposições. Os pastéis são deliciosos, vale a pena comer alguns!

Depois dos pastéis, um pouco de cultura. O museu de arte contemporânea do Centro Cultural Belém é muito bom, cheio de trabalhos bons e tinha uma ótima exposição temporária, sobre a fina linha que separa teatro de performance, happening, etc. Precisaria de uma grande aula sobre arte contemporânea para entender tudo o que tinha nessa exposição temporária, talvez umas aulas sobre história do teatro também, mas foi muito bom ver tudo. A coleção permanente (Colecção Berardo) do museu possui diversos artistas ótimos, como Pierre Coulibeuf, Marina Abramovic, Lichtenstein, Duchamp, Pedro Cabrita Reis, Francis Bacon, etc. Só não gostamos da arquitetura do local, não era um lugar muito legal em termos de espaços.

Lisboa

O dia amanheceu nublado, chances de chuvas durante o dia, nada muito animador para fazer turismo. Saimos de casa com capa e guarda-chuva, prontos para uma eventual tempestade. A caverna (apto. onde estamos) fica no bairro alto e bastante próximo ao Chiado. Tomamos café na primeira padaria com bastante movimento, não erramos na escolha nosso café estava ótimo. Seguimos caminhando, passamos pela estátua do Camões, por outra do Fernando Pessoa, a essa altura, já estavamos perto do Convento do Carmo. Acabamos não entrando dentro das ruínas dele, mas vimos todo ele por fora e também subimos no elevador que há ao lado. Do elevador tem-se uma ótima vista da cidade.

Saindo de lá, caminhamos em direção ao Rossio, e seguimos pela Rua Augusta até a Praça do Comercio. No caminho paramos num quiosque de informações, necessitavamos de mapas e folhetos sobre a cidade. Ainda era cedo, então fomos visitar a Catedral da Sé, que fica na subida em direção ao castelo de São Jorge. De longe a catedral lembra um pouco a Notre Dame, mas com bem menos ornamentos na fachada. Continuamos a nossa subida em direção ao castelo, passamos pelo mirante Santa Luzia, e logo em seguida estavamos no castelo.

Do castelo original pouco sobrou os diversos terramotos (eles dizem assim aqui em Portugal) destruiram grande parte dele. Mas ainda há algumas torres e muralhas de pé, além dos vários séculos de história que se passaram por ali. Dizem que há vestigios do século VI antes de cristo dentro da área do castelo, mas também há fatos mais recentes, como a recepção a Vasco da Gama quando ele retorna da Índia, ou ainda a primeira apresentação de teatro português do Gil Vicente.

Saímos do castelo antes das duas da tarde, semi-mortos de fome, pegamos um bonde para descer o morro. Sim, aqui ainda há bondes, achei o máximo andar de bonde! Comemos num restaurante na Rua Augusta, eu comi um bacalhau a brás, MUITO bom, e pastéis de nata de sobremesa (nome comum dos pastéis de belém).

Como eu queria muito ver o Pavilhão de Portugal, feito pelo Álvaro Siza para a exposição mundial de 1998, fomos até o Parque das Nações, no caminho descobrimos que o aquário que queriamos ir ficava em Lisboa e não em Barcelona, dentro do parque! Obviamente fomos para lá depois de passar no pavilhão. A arquitetura do pavilhão é muito legal, a lage de concreto curva que cobre um considerável vão tem uma leveza impressionante.

O que falar sobre o segundo maior aquário do mundo? Não sei, talvez baste dizer “imperdível”, mas talvez isso seja pouco. Dentro do aquário há diversos ambientes, recriando ecosistemas dos diversos mares, mas não só com aquários, mas também com passaros e vegetação nativa. São dois andares cheios de peixes, aves, plantas, e tudo que é organismo que se encontram nos mares. A Lu queria roubar o casal de lontras do Oceanário, eu queria os pingüins. Passamos algums horas lá dentro e tirei muitas fotos pra variar um pouco.

Trem

Minha primeira viagem de trem, tá metrôs são trens também mas não conta. Antes de chegar no trem, devo contar o resto do dia e a corrida contra-relógio que eu e a Lu tivemos para chegar ao trem. Como ainda não tinhamos ido nem nas Cavas (onde se vende vinho do porto) e nem na fundação Serralves (o museu de arte contemporânea do Porto). Acordamos, tomamos café da manhã (sim, tinha café na pousada!), re-empacotamos as nossas malas, e partimos para a fundação Serralves.

Chegar na fundação é bastante simples, se os autocarros (ônibus) resolvem passar, ficamos uma meia hora esperando esse maldito ônibus passar. A fundação é num enorme terreno, que fazia parte da residência do Serralves. O prédio principal da fundação também foi projetado pelo Álvaro Siza, e foi interessante entrar em um outro museu projetado por ele. Há várias semelhanças nos acabamentos desse museu e do de Porto Alegre, assim como no modo de iluminação, através de vidros leitosos iluminados por trás. O prédio por fora não se parece em nada com o de Porto Alegre, mas é bastante legal, vale a visita. No jardim da fundação encontram-se várias esculturas, uma do Richard Serra e outra do Claes Oldenburg, ambas muito boas.

Saimos da fundação e peguemos o Metro em direção as cavas. Único problema é que a estação do Metro em Vila Nova de Gaia fica no topo do morro, então tivemos que descer um enorme desfiladeiro (brincadeira, era só um morrinho). Entramos na primeira, mas só compramos, pois não tinhamos tempo para esperar até a próxima visita guiada. A máquina de cartão de crédito dessa cava estava meio estragada e perdemos um tempão na fila. Tentamos entrar na próxima cava, mas já estavamos ficando atrasado para pegarmos nosso trem. Saimos de lá no primeiro autocarro que passou em direção a uma estação de Metro.

Até então tudo estava dentro do apertado cronograma, mas nada como turistas japoneses que não sabem onde estão, para onde vão e somente uma máquina de venda de bilhetes. Com a demora na fila para comprarmos um passe, perdemos o primeiro metro que passou, só conseguimos embarcar no segundo, já eram mais de 17h. Nosso comboio era as 17h45. Corremos do metro até o hostel para pegar as malas e corremos de volta ao metro. Correr com malas e mochilas não é nada divertido, já estavamos um pouco queimandos no horário, algo como 17h20, e tinhamos que trocar de linha para chegar na estação ferroviária.

Corremos para a outra linha, 17h35, e o horário de saída do comboio chegando. Pavor, vamos perder o trem! Mas não queria pensar nisso no momento. O metro chega um tanto distante da estação de Campanhã (pros grammar nazis de plantão, é assim mesmo que se escreve), corremos até a estação. Cadê a grade com os trens, horários, plataformas? Só havia uma dentro da estação, corro para descobrir a plataforma, 17h43. “Plataforma 8, corre que vamos perder o trem!”, corremos, escadas para baixo, corredor, escadas para cima. No final da escada um senhor avisa para corrermos mais ainda (era uma escada rolante), pulo para dentro do trem. A Lu, ainda gripada, pula pra dentro logo em seguida e em menos de 15 segundos o trem parte. Sorte! Conseguimos pegar o trem, tudo deu certo, mas foi uma correria e tanto.

Viajar de trem é muito bom, pena que na classe turística não tinha tomadas (na classe executiva tem em todas as poltronas), mas consegui ligar o notebook e escrever sobre os últimos 5 dias. Tinha a impressão de que a malha ferroviária de portugal não era muito boa, só com trens lentos, mas estava enganado. Nosso trem fez grande parte do trajeto em constantes 220km/h, nada mal! Também tinha canais de audio e tvs passando algum programa de culinária. Adorei minha primeira viagem de trem, espero que a próxima seja em breve.

Chegamos em Lisboa, conseguimos falar com a Ximenes e pegar a chave da “Caverna”, o apartamento do Lucas e da Alice aqui em Lisboa. Ainda bem que a Ximenes nos aconselhou a pegar um taxi, foram várias lombas acima para chegar na Caverna. Adoramos a caverna logo de cara.

Sentido / Direction : Estádio do Dragão, ou frases do Porto

Primeiro dia no Porto, resolvemos ir até a Casa da Música, prédio que abriga a orquestra sinfônica do Porto e foi projetada pelo arquiteto holandês Rem Kohlas. O prédio é muito legal, por fora e ele tem um formato um tanto engraçado, como um poliedro qualquer com uma escada que saí do meio dele. Por dentro há quase que um labirinto, com grandes escadas que levam a diferentes pontos do auditório principal. Tivemos muita sorte, pois todo o auditório estava aberto e conseguimos bisbilhotar tudo o que tinha lá dentro.

Almoçamos no bar do térreo, foi o almoço mais barato da viagem. Por 4.95 euros comi uma sopa, um prato principal (com frango, arroz e legumes), uma bebida e uma sobremesa! A comida estava muito boa, ainda mais para o preço que pagamos. Como a Lu continuava ruim da gripe fui fazer o resto do meu passeio a pé, minha idéia era ir até a Faculdade de Arquitetura e depois passar o Palácio de Cristal.

Olhei no mapa onde ficava a faculdade e rumei para lá, grande erro confiar no mapa. Várias ruas existiam somente no papel ou tinham um quadra com um nome e todas as outras com outro. Depois de algum zig-zag pela cidade consegui chegar na faculdade. O projeto do prédio é do arquiteto português Álvaro Siza, que está fazendo a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre. A faculdade é bem legal, só o tempo que não estava nada legal. Chovia de todos os lados e estava completamente nublado. Mas acho que consegui tirar algumas fotos boas do prédio.

O palácio de cristal foi decepcionante, tirando o jardim que tinha dois pavões soltos. O palácio na real é um domo, que no momento estava coberto por uma lona, pois havia uma exposição sobre o leonardo da vince. Passei por algumas igrejas e prédios interessantes no caminho para o metro. Vou precisar olhar no mapa e tentar descobrir que trajeto fiz para saber os nomes das igrejas. Aqui no Porto de uma igreja se avista umas outras três igrejas, talvez mais, eles são (ou pelo menos foram) muito católicos.

Acabamos o dia indo ver um filme, Paranoid Park, que apesar de ter um bom diretor (Gus van Sant) não era lá muito bom não. O filme se arrastava um pouco demais, e não conseguiu dar uma boa conclusão para a história.

O filho da puta do taxista

Como tinhamos que estar cedo no aeroporto e a Lu continuava muito gripada, marcamos um taxi. A pior corrida de taxi que eu já tive e foi literalmente uma corrida. As placas de velocidade máxima 80km/h passavam e o ponteiro do carro não baixava de 140km/h, acho que o motoristava estava puto da cara de ter que fazer uma corrida no domingo, dia de reis, pela manhã. Aqui eles não valorizam tanto o Natal, mas dia de reis, que é quando as crianças ganham presentes. Quando chegamos no aeroporto e a corrida que era pra ser em torno de 30 euros deu quase 40, peguei uma nota de 100 euros para pagar, até por quê não tinha nota menor. Acho que foi aqui que o motorista ficou realmente puto da cara, e disse que não tinha troco! Mas que ótimo, como um taxista não tem troco para uma corrida de quase 40 euros? Corri atrás de troco pro filho da puta do taxista, consegui trocar num câmbio.

Achavamos que com isso nosso dia ruim teria acabado, grande engano! Procuramos nosso vôo num dos paineis e cadê ele?? Fomos atrás da compania aérea, que depois de um tanto de confusão nos informou que o vôo tinha sido adiado para às 16h50. Isso foi em torno das 9h da manhã. Então passamos o resto do dai trancados dentro do aeroporto… programão. Pelo menos a viagem para Porto foi tranquila, e chegar num lugar onde falam português com sotaque engraçado sempre é divertido. Chegar no nosso hostel foi bem fácil usando o Metro (sim, aqui eles escrevem e falam Metro, sem acento).

Para terminar o dia bem, resolvemos sair para jantar. Precisavamos comer um bacalhau. Um dos poucos restaurante que achamos abertos na beira do rio e que não estava completamente vazio foi o escolhido. Comemos bacalhau com batatas e ainda pedimos uma sobremesa, por apensa 25 euros! Sim, portugal é barato!